Done List: a sua Lista de Sucessos

A chamada done list (lista de feitos) é a nova queridinha dos especialistas em administração de tempo e produtividade. Ela se contrapõe à mais conhecida To-do list – aquela na qual você lista tudo que tem de fazer no dia –, mas pode ser tão eficiente quanto!

Se você não curte muito listas, saiba que pensei em você para escrever este post! Você nunca é organizado a ponto de preparar uma lista? Ou disciplinado para seguir uma? Ou você é daqueles anti-listas porque acha as tarefas impossíveis, não consegue cumpri-las e acaba menos organizado e mais deprimido?  Se você é uma dessas pessoas, não se preocupe porque a done list é diferente.

Quem deve se beneficiar de verdade deste post, no entanto, são aqueles que andam se sentindo meio chateados com seu desempenho, achando que não são ou não estão sendo produtivos. Sabe quando você tem um dia ruim, atrasa o cronograma e isso já derruba sua autoestima e interfere na produtividade dos próximos dias, colocando você num estado de ansiedade difícil de manejar? Pois é você mesmo que deve tentar a estratégia da done list.

 

Mas o que é essa Done List?

A done list é uma lista com tudo aquilo que você concluiu no seu dia. Cada tarefa cumprida, por menor que seja ou desimportante que pareça, deve ser listada como um sucesso.

Ela serve para valorizar cada feito, cada missão cumprida, sem deixar que isso se perca em meio a tantas outras coisas a fazer.

 

Como usar uma done list?

  •  Ao longo do seu dia de trabalho e estudos, anote cada coisa que terminar numa lista. A forma como você anota, vai do seu gosto. Pode ser algo como “revisão do capítulo 3 concluída” ou “li o artigo para a reunião do Lab”.
  • No fim do dia, olhe para sua lista, reflita sobre a importância de cada item, sobre como eles representam passos, ainda que pequenos, numa jornada maior.
  • Passado algum tempo maior, reveja a sua lista e faça uma reflexão sobre o quanto você avançou em comparação com o quanto gostaria ou precisaria ter avançado. Será que foi tão ruim assim?

 

E por que usar uma Done List?

Fazer um trabalho de pesquisa longo como um mestrado ou doutorado, ou mesmo manter-se motivado para dar conta de mil coisas ao mesmo tempo – como já costuma acontecer na graduação – são grandes desafios. Parte do aprendizado como estudante é lidar com isso e encontrar o melhor jeito de você estudar e ser produtivo. Não estou falando aqui necessariamente de produzir muito, no sentido do mercado de trabalho; estou mesmo querendo dizer “dar conta de todo o necessário para concluir o seu curso”.

Manter-se motivado

Além disso, como já falei também no post sobre os Efeitos Psicológicos da Pós-Graduação (e vi em diversos comentários de vocês leitoras e leitores pelo Facebook e aqui no comosobreviveraodoutorado.com), num doutorado, demora muitíssimo para você começar a ver resultados, produtos, coisas concretas de que aquilo está dando certo. Sabe aquela explicação da neurobiologia de que seu cérebro lança hormônios que te deixam feliz quando você termina uma tarefa para a qual havia criado uma expectativa? Pois é, como manter a bioquímica a seu favor, se você não vê um fim?

É muito comum, no meio do processo, entrar nessa neura de “não vai dar tempo”, “não vou dar conta” etc, etc. Saiba que é normal ter esses pensamentos, mas quando eles começam a te botar para baixo, aí é hora de tentar alguma estratégia.

Também há dias melhores e dias piores no trabalho. Quando você termina de escrever um paper, por exemplo, ganha um ânimo novo para começar o próximo. Já quando você tem que ler um texto difícil e passa horas repetindo o mesmo parágrafo, com a sensação de que não pegou nada daquilo… bom, esse é um daqueles dias que derruba a sensação de “estou avançando e fazendo algo útil”.

Então uma estratégia é saber brincar com seu planejamento e misturar tarefas mais animadoras com as que detonam seu humor. Além disso, já mencionei aqui num texto sobre Procrastinação que é bom dividir as missões em tarefas pequenas e possíveis de serem cumpridas. Ou seja, nada de megalomanias! E aí, é só colocar essas tarefas, uma depois da outra na sua lista de sucessos.

Só de ver no papel tudo o que você conseguiu fazer, tudo que vem fazendo, já vai contribuir para o fim da neura da improdutividade. Pode parecer uma coisa boba, mas funciona muito bem! Não há argumentos contra você, quando no fim da semana você vê aquela lista enorme de coisas. E ela será grande, porque são pequenas tarefas anotadas, lembra?

Manter-se organizado

Além disso, a lista te ajuda a se organizar para encontros de pesquisa e reuniões com orientadores. É só bater o olho nos seus itens e selecionar aquilo que você gostaria de reportar, quando alguém te pergunta o que você fez nos últimos dias, ou como seu trabalho vem avançando.

Outra função importante da done list é que, com ela, você vê o que realmente consegue fazer em um dia de trabalho e aprende a se planejar melhor. De repente você consegue comparar seu rendimento em dias que têm aula (ou que dá aulas) e fica com os horários picados com outros, em que você tem mais horas livres. Ou dias em que você trabalha em casa com outros em que vai à Uni. Assim, você vai conseguir distribuir melhor seus afazeres, de acordo com o que a sua done list te diz.

Essa perspectiva que a done list te proporciona, também ajuda a entrar no clima e focar no trabalho. Experimente começar o dia contemplando seus sucessos. Na minha experiência, isso funciona como mágica 😉

 

Uma dica

Mantenha um caderno com tudo relacionado ao trabalho que você está fazendo. Quem me conhece sabe que eu gosto mesmo é de computador, celular, tecnologia. Mas apesar disso, eu não abro mão de ter um caderno e poder fazer minhas listas à mão. Ainda não encontrei nada no mundo digital que substitua o prazer de rabiscar uma tarefa cumprida ou de escrever bem grande no papel com caneta colorida o que eu alcancei naquele dia. Durante meu doutorado, andava para cima e para baixo com meu caderno preto. Anotava tudo nele: ideias, afazeres, sucessos, dúvidas. Também usava para rascunhar trechos do trabalho, quando não estava no computador. Foi a minha primeira experiência de um caderno único assim; antes não tinha esse costume e ficava acumulando papel, com anotações variadas. Mas a melhor coisa do caderno, era a sensação de organização que ele me passava, independente de onde eu estivesse.


 

A done list já faz parte da estratégia sugerida por coaches e terapeutas, quando o assunto é combater a baixa autoestima e até a síndrome do impostor. Ela é uma alternativa ao diário, indicado por especialistas nesses casos.

Eu a considero uma excelente estratégia para não se sentir improdutivo em projetos longos, como um doutorado. Confesso que eu não fazia todos os dias a minha listinha, mas usava o recurso com frequência, principalmente na fase da pesquisa, quando eu começava a me perder nas minhas leituras. Pegue a ideia e adapte a seu favor. Te garanto que você não vai se arrepender. Depois volte aqui e conte para gente como foi sua experiência. Prometo fazer mais posts com dicas de listas, para quem está precisando se organizar melhor. Até lá!

 

Deixe uma resposta