Procrastinação: 3 Dicas para Combatê-la

PROCRASTINAÇÃO – Uma palavra complicada, mas que define algo que todo mundo conhece: esse hábito de deixar uma tarefa para depois; de pensar em começá-la, mas no minuto seguinte se perder em outras mil coisas que parecem mais urgentes ou interessantes. O termo crastinus, do latim, refere-se ao amanhã, ao dia seguinte, ao futuro. Literalmente, procrastinar é o ato de empurrar algo para o outro dia. No entanto, como coloca Timothy Pychyl, do Grupo de Pesquisa sobre a Procrastinação da Universidade de Carleton no Canadá,

sempre que procrastinamos, adiamos algo; mas nem sempre que adiamos algo, estamos procrastinando.

 

Procrastinação é algo bom ou ruim?

Há situações na vida, em que deixar uma tarefa para depois é inevitável e inofensivo. A diferença no caso da procrastinação, é que adiamos algo sem a real necessidade de fazê-lo. Quando isso é uma estratégia e pode ser controlada, a procrastinação pode ter vantagens. Porém, o que especialistas em estudos sobre comportamento e distúrbios psicológicos argumentam é que, em geral, a procrastinação é um hábito e como tal, ela se torna inconsciente e internalizada – algo que fazemos sem nos dar conta. Nesse caso, como defende o professor Piers Steel, a procrastinação é algo muito negativo. Segundo ele, a pessoa que procrastina sabe que isso terá consequências negativas na sua vida, e o faz mesmo assim.

Em contrapartida, há uma tendência a associar procrastinação com sucesso. Frank Partnoy, autor de Wait: The Art and Science of Delay (2012), apresenta pessoas tradicionalmente aceitas pela sociedade como modelo de sucesso nos EUA – executivos, médicos, estrategistas militares – como procrastinadores.

Sem entrar no fogo cruzado entre essas duas interpretações, o objetivo deste post é atender a você, estudante e/ou pesquisador que se sente prejudicado pela procrastinação. Apesar de não ser uma particularidade da Academia, ela parece ser um dos maiores vilões dos estudos e da pesquisa atualmente.

 

Procrastinação na Academia

Quem nunca planejou botar os estudos em dia num fim de semana? Você chega sexta-feira em casa, com toda a disposição e senta em frente do computador. Antes mesmo de abrir o editor de texto, você resolve dar uma olhadinha no email. Do email, você vai parar no Facebook, Twitter, YouTube. De repente você percebe que tem fome e resolve comer; afinal é mais difícil estudar de barriga roncando. Você pega seu smartphone e vai para a cozinha fazer um lanche, enquanto confere o Instagram. E de clique em clique, seu fim de tarde passou e é hora de dormir. Você decide que é melhor mesmo descansar e acordar no sábado bem cedo para começar o trabalho. No sábado, as coisas também não correm como planejadas; você se pega limpando a casa, lavando roupa; todas essas coisas que nunca tinham te parecido interessantes. Qualquer coisa te atrai mais do que o que você realmente deveria estar fazendo. E assim passa o sábado, o domingo, até que nas últimas horas do seu fim de semana de estudos, você finalmente começa a estudar.

Depois disso, vem uma sensação de culpa, um vazio, sentimento de derrota… Infelizmente, isso pode acontecer com qualquer um, em menor ou maior grau. Pode durar o fim de semana todo, ou apenas te atrasar alguns minutos, mas é fato que quanto maior a cobrança e a pressão em relação àquela tarefa, maior a vontade de procrastinar. Procrastinação, no entanto, não tem a ver com preguiça, mas sim com uma necessidade – às vezes inconsciente – de evitar as coisas.

Por isso, não deixar a procrastinação virar um hábito é, na minha opinião, uma das coisas mais importantes na vida de estudantes e pesquisadores. Um hábito requer muito esforço e disciplina para ser combatido.

 

Mas o que nos leva a procrastinar?

Procrastinamos quando temos que fazer uma tarefa pouco prazerosa, quando fazemos a mesma coisa por muito tempo seguido, quando não sabemos exatamente como executar a tarefa. A procrastinação também está associada à cobrança e ao perfeccionismo; ou seja, quando temos receio de não conseguirmos produzir algo excepcional, quando temos medo de não sermos bem-sucedidos na missão. Claro, há outro fator fundamental que temos que considerar: a facilidade de nos distrair que a tecnologia proporciona. Ninguém discute que a internet é uma fonte interminável de atrativos – mais ou menos úteis – e que estar conectado com tudo e com todos é viciante.

Mas então, como contornar esses problemas e conseguir transformar a procrastinação que ocupa tanto do nosso tempo em produção e distração, como duas coisas separadas e fundamentais?

 


Como combater?

Nesses meus mais de 10 anos de faculdade tentei vários métodos para quando tinha que lidar com algo chato. Podia ser um trabalho de um curso obrigatório do qual eu não era muito fã, ou por exemplo, quando eu estava preenchendo uma tabela gigante, comparando publicações de uma revista do século XIX para meu doutorado. Nessa hora, não importa o quanto você gosta do que faz, as distrações serão muito tentadoras! Para combatê-las, eu fiz uso das seguintes técnicas:

Organize seu tempo e divida suas tarefas

A técnica do pomodoro para administrar o tempo é um salva-vidas. Ela foi desenvolvida por um italiano que resolveu adaptar aquele timer de cozinha – aquele que tem formato de tomate, cebola, ovo e muitas outras coisas criativas – para os estudos. É uma excelente forma de administrar o tempo e te forçar a dividir seu trabalho em pequenas tarefas. Ela funciona assim:

  •  Você define uma tarefa que tem que cumprir. Nada de “escrever o capítulo 1”! Tem que ser uma coisa pequena. Pegue o seu “capítulo 1” e divida, por exemplo, em: a) planejar o capítulo (quais os pontos serão discutidos); b) rever a bibliografia a respeito /ou suas anotações, seus resultados de experimentos; c) rascunhar o primeiro ponto do capítulo; e assim por diante.
  • Você coloca o timer e se concentra na tarefa.
  • Quando o tempo acabar, você faz uma pausa curta e depois, retoma ao item anterior.

A técnica original prevê um tempo de 25 minutos para as tarefas e 5 minutos para a pausa, por quatro vezes seguidas; depois disso, uma pausa completa de 30 minutos.

Use o pomodoro a seu favorPomodoro Timer no combate à Procrastinação

Para mim, o ponto chave é a ideia da pausa: sabendo que você vai ter um tempinho para ler as mensagens no celular, ou ir ao banheiro, fica mais fácil concentrar só no trabalho, afinal é por um período curto.

No meu caso, eu costumava trabalhar por 50 minutos e fazer uma pausa de 10. Nesse tempo, eu me forçava a levantar da escrivaninha, mexer o corpo, descer até o banheiro, encher a garrafa d’água. Em dias mais difíceis, você pode diminuir o tempo. Quando você pega o ritmo e vê que a coisa está fluindo, talvez não precise de todas as pausas. E assim você vai adaptando a técnica a seu favor.

Há uma enormidade de pomodoro apps tanto para Iphone quanto para Android. Tem até alguns mais tecnológicos, que tem som ambiente de cafeteria para a pausa. Se você não quer usar um, coloque um alarme qualquer.

Se a ideia de alarme não é o seu ideal de administração de tempo ou se você não consegue encaixar suas tarefas num intervalo de tempo pré-determinado, faça pausas após a conclusão de cada etapa. Por exemplo, você tem que ler um livro; leia um capítulo e dedique alguns minutinhos para a pausa, antes de seguir com o próximo capítulo.

 

Combata as distrações

Quando você resolve fazer um regime, uma das primeiras coisas que faz é parar de comprar comidas “proibidas”, para não cair na tentação de atacá-las. Bom, para estudar não é muito diferente. Se você está num dia difícil, rendendo pouco, não pode sentar para estudar na mesa da cantina! Se você simplesmente não consegue lidar com o fato de estar online, considere usar bloqueadores de sites em seu navegador.

OMG StayFocused: Shouldn't you be working?

Shouldn’t you be working?

Eu uso um plugin para Google Chrome que se chama StayFocused, que me ajuda a controlar quanto tempo posso gastar em alguns sites. Coloquei lá uma lista de sites críticos, como Facebook, mas também sites de notícias, que são o meu ponto fraco. Você pode colocar qualquer um e determinar quanto tempo por dia o site funciona. Quando o tempo acaba, ele bloqueia o site e joga na tela a mensagem “você não deveria estar trabalhando?” (e o GIF ao lado), o que eu acho bastante incentivador. A ideia é boa, principalmente quando você acha que não costuma perder muito tempo na internet. E no limite, quando há alguma emergência, você pode acessar o site de outro navegador ou usar o celular. Há ferramentas assim para celular também, mas eu simplesmente mantinha o aparelho longe, ou com a tela virada para baixo.

Também há editores de texto que ocupam a tela toda do seu computador, e te oferecem uma tela em branco, como uma folha de papel, nada mais que isso. Outra ideia é remover o relógio da tela do seu computador. Pense naquilo que te causa ansiedade e que te induz à procrastinação e crie um ambiente o mais livre disso possível.

 

Exercite a autodisciplina

Eu gostaria de te dizer que existe um truque, uma mágica qualquer para ajudar o trabalho a andar. Não existe! Se você não sentar e escrever, seu trabalho nunca ficará pronto. E se você deixar tudo para quando a data de entrega estiver chegando, a qualidade do trabalho ficará prejudicada. A minha dica para isso é: não espere a vontade ou a inspiração chegarem! Se você tem algo para fazer, simplesmente comece; depois que você dá o primeiro passo, a vontade, a inspiração, o interesse devem aparecer.

Além disso, comece de forma modesta, aos poucos. Lembra que disse lá em cima, para não planejar coisas como “escrever capítulo 1”? Construa o “capítulo 1” etapa por etapa, dia após dia, sempre tendo em mente o que você já fez e qual o próximo passo, para que você consiga ganhar um ritmo de trabalho. E se for um projeto longo, como um mestrado, doutorado, considere incentivos, para cada etapa concluída. Recompensas como fazer uma pausa longa de almoço, sair com os amigos à noite, jogar videogame, correr atrás da Netflix perdida…

Isso tudo te ajuda a ser mais disciplinado a longo prazo e oscilar menos entre dias produtivos e dias perdidos. Com isso, seu rendimento vai aumentar, a culpa vai diminuir e você vai conseguir aproveitar momentos totalmente desligados dos estudos.


Bom, há uma série de outras dicas online sobre como lidar com a procrastinação. Muita gente já falou sobre isso, mas como prometido no post anterior, este blog nunca estaria completo sem um texto sobre o tema. Se você sofre desse mal, não se condene, porque isso só piora a situação! Ao invés disso, deixe um comentário sobre o que te leva a procrastinar e como você lida com isso.

Até a próxima!

4 comentários em: “Procrastinação: 3 Dicas para Combatê-la

  1. Ótimo artigo, já li bastante sobre procrastinação, mas sem dúvida este artigo cubriu tudo. A procrastinação já se tornou um hábito terrível na minha vida, me considero uma pessoa “enrolada”. Enrolo tudo e vou deixando as coisas para fazer outra hora, e fico triste por não ter feito o que planejei. Nem sempre procrastino somente as tarefas relacionadas ao meu doutorado, as vezes deixo pra outro dia a caminhada, por exemplo, é vou deixando, deixando….
    Eu sei o que e como fazer para sair desse círculo vicioso, mas ainda não consegui me ajustar e organizar os horários das minhas atividades, e o tempo vai passando. Vou tentar baixar o app Pomodoro, quem sabe dê certo.

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