O que fazer e o que não fazer na hora de escrever o trabalho

6 dicas para te ajudar a escrever seu trabalho acadêmico!

Olá! Este post traz dicas pontuais do que fazer e o que não fazer na hora de escrever a tese, a dissertação, o tcc.

Para complementar esta série de formalidades, eu selecionei 6 itens que considero essenciais de se pensar antes de começar a escrever. Se você já está escrevendo, pare tudo e confira se está seguindo esses passos! Garanto que as dicas vão facilitar a sua vida ao longo dessa fase de escrita do trabalho acadêmico.

Ah, só para enfatizar: a lista traz dicas para a fase da escrita. Logo vou publicar uma lista semelhante com dicas gerais para planejar as diferentes etapas do doutorado e do mestrado. Além disso, alguns pontos da lista abaixo serão tratados individualmente em posts futuros, ok?

 


O que fazer:

Siga as exigências do seu Instituto (Departamento, Faculdade…)

Antes de qualquer coisa, pergunte na secretaria onde você terá de entregar o trabalho, ou para quem já se formou lá antes de você, quais são as exigências específicas, por exemplo, de formatação (margens? Tamanho da página? Fonte e tamanho da letra?), de tamanho (número de páginas máximo e mínimo?), de formalidades (como é a capa? Preciso de página de rosto? Resumo em quantas línguas?). Assim, você pode preparar seu documento antes mesmo de começar a escrever e evitar aquela situação super chata de ver sua paginação toda arruinada quando você descobre que precisa imprimir a versão final em formato Carta e escreveu em A4!!!

Isso também vai te dar um ponto de partida: já adicione uma página para a capa, outra para o índice, para os agradecimentos e assim por diante. Talvez você já tenha percebido isso, mas começar a escrever num arquivo que já possui algumas páginas, tem um poder incrível de combater aquela ansiedade causada pela tela em branco. Não custa testar!

 

Use a tecnologia a seu favor

Já ouviu falar que dá para fazer índice automático no Word? Pois é, você não precisa ser nenhum gênio da informática para aprender a usar as ferramentas que os softwares de edição de texto trazem. Se você usa Microsoft Word ou LibreOffice, aproveite as categorias de títulos e subtítulos que já vêm prontas e vá adicionando ao seu texto conforme você escreve. Não esqueça de formatá-los de acordo com as exigências do item anterior! Depois que você já tiver alguns títulos, volte numa das páginas em branco que deixou no começo do seu arquivo e adicione o índice automático. É bem fácil e ajuda muito a te guiar ao longo de textos grandes. Eu mesma sempre deixo o “painel de navegação” habilitado no canto esquerdo da tela, para conseguir circular entre os tópicos do trabalho com apenas 1 clique.

Outra dica tecnológica capaz de revolucionar qualquer produção de texto: softwares gerenciadores de referências. Isso merece um post exclusivo. Mas enquanto isso, dê uma olhada em nomes como Zotero, Mendeley, Citavi… Esses softwares são capazes de armazenar as informações sobre os artigos e livros que você usou na pesquisa e te auxiliam na hora de citar esses trabalhos no seu texto. Funciona como mágica!

 

Calcule mais tempo para a produção do trabalho do que você imagina

Bom, esse é um ponto crucial, porque muita gente erra na previsão, ou porque nunca fez um trabalho longo e não tem ideia de quanto demora para escrever; ou porque esquece de considerar o quanto formatar e revisar o trabalho pode demorar; ou ainda porque é otimista demais nas previsões. Acredite, nesse aspecto é muito melhor prevenir do que remediar! No mundo ideal, aconselho a planejar da seguinte forma:

  • 30% do tempo para escrever a primeira versão do seu trabalho
  • 20% para reler, modificar o texto e prepará-lo para enviar para os professores, colegas…
  • 40% para corrigir o texto de acordo com os comentários da etapa anterior
  • 10% para finalizar o trabalho

Você pode distribuir esse tempo em etapas, por exemplo, capítulo por capítulo. Vou discutir mais técnicas de administração do tempo num post futuro. O ponto aqui é alertar você para o fato de que fazer a tese, a dissertação, o tcc, não é apenas escrever e não depende exclusivamente de você.

 

O que não fazer:

Não comece a escrever seu trabalho pela Introdução!

Você deve sempre começar pelas partes mais importantes. Eu disse num post anterior que você deve começar o trabalho com um esboço da apresentação da problemática e do conteúdo dos capítulos. Enfatizo aqui a palavra esboço!! Nunca escreva a Introdução completa antes de ter o resto do texto. Dedicar muito tempo à introdução no começo não é um bom caminho e eu te explico o porquê:

  •  você pode ter que mudá-la, depois que tiver o texto pronto e perceber que a divisão dos capítulos, por exemplo, não ficou exatamente como você tinha previsto meses atrás (acredite, há uma chance enorme de isso acontecer!)
  • é sempre mais fácil explicar seu tema e justificar sua abordagem depois que o trabalho todo já foi feito, quando você sabe o que funciona e o que não funciona, certo?
  • somado a isso, tem também o problema da escrita. Explico: começar a escrever é sempre difícil e até que você se sinta confortável com o processo da escrita, vai se passar um tempinho. Sabendo disso, comece com as partes mais importantes do trabalho; assim você vai conseguir terminá-las enquanto a pressão da data de entrega ainda não é tão grande e garantir que o cerne do texto foi bem trabalhado e não rabiscado na correria.

 

Não crie rituais fixos de escrita

Este é um ponto controverso, porque eu sei que muita gente gosta de associar uma rotina ou um lugar específico à escrita. Aquela coisa de tomar um café, sentar naquele lugarzinho especial, com o computador naquela posição determinada… Se você funciona assim, não quero dizer para abandonar o ritual, mas tente não se prender a ele.

Por exemplo, você só consegue escrever, se tiver um bloco de horas livres (geralmente mais de 4h); se estiver usando o seu computador pessoal; ou se estiver sentado naquela mesa específica. O que acontece quando você só tem algumas horas espalhadas no seu dia para escrever? Ou quando seu computador dá um problema e você tem que mandar para o conserto por alguns dias? Ou você está na faculdade e tem uma janela entre as aulas? Tempo perdido? Não precisa ser, se você tentar ser mais flexível com as condições de trabalho.

Pense na escrita como um trabalho que pode ser dividido em etapas menores – ora você está escrevendo na sua mesa, ora você está corrigindo uma versão impressa no ônibus –, e que pode acontecer a qualquer hora e em quaisquer condições. Tudo bem, às vezes é difícil se concentrar na sala de computadores da faculdade, com tanta gente falando ao mesmo tempo. Mas nessa hora você não precisa estar escrevendo o melhor trecho da sua argumentação; tente ao invés disso, rascunhar o próximo item, ou apenas anote as ideias no texto e depois volte a elas para lapidar, quando as condições forem mais propícias.

A minha dica é: não interrompa a produção do texto por qualquer evento externo e não crie essa aura quase mágica em relação ao ato de escrever. Faça-o em qualquer situação, a qualquer hora. Isso certamente vai ajudar você a entrar no ritmo e desmistificar os tabus da escrita.

 

Não queira escrever o texto perfeito na primeira tentativa

Aqui eu faço quase um adendo ao item anterior. Desmistificar o texto ajuda a combater o perfeccionismo. O que quero dizer com isso: considere o trabalho da escrita em etapas (de novo!). Primeiro você joga as ideias no texto, depois você vai lapidando, melhorando a argumentação, trabalhando no estilo, etc. Ou seja, quando você está escrevendo e te fugiu aquela palavra perfeita, não enrosque! Tente criar desde o início esse hábito da escrita mais livre porque inevitavelmente você vai voltar àquilo que já escreveu.

Se você é desses que produz logo de cara um texto já bem fechado, ok; mas se esse não é você, não force. Escrever livremente ajuda não só a manter o fluxo do trabalho, mas também a diminuir crises de consciência que todo acadêmico tem quando passa horas no mesmo parágrafo.

 


Quando foi a minha vez, confesso que menosprezei a importância de alguns desses passos.  Acabei sentindo na pele quão desagradável pode ser ter que mexer num texto com mais de 300 páginas, porque tinha esquecido de conferir uma ou outra exigência do meu Instituto. Também socorri amigos com trabalhos gigantes que se perderam, porque não tinham usado nenhum recurso tecnológico para isso. Fui pega desperdiçando horas tentando buscar a expressão perfeita, em parágrafos que acabei excluindo na fase da correção.

Acredite, quando chega a hora do ponto final, a última coisa que você quer é passar mais várias noites em claro fazendo essas coisas formais para conseguir entregar na data. Além disso, eu te garanto que seguir esses passos vai te ajudar a manter seu texto organizado e garantir uma sensação boa de missão sendo cumprida, conforme você vê ele ganhando forma, além de conteúdo.

Não entendeu alguma coisa, ou precisa urgente de alguma outra dica? Escreve para mim ou deixe um comentário aqui no post, no facebook, no twitter…

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