Tese de Doutorado

Trabalho Acadêmico: O que é? (Parte 1)

 

Trabalho Academico o que é

Créditos: Dooder – Freepik.com

Olá! Se você chegou até este blog é provável que já esteja fazendo algum trabalho acadêmico ou que tenha interesse em começar um. Nesta seção inaugural, vou trazer posts que tratam dos diferentes tipos de trabalhos acadêmicos, para apresentar algumas características, exigências e mitos particulares à cada um deles.

Vamos começar pela tese de doutorado, que é o motivo deste blog existir (leia aqui um pouco sobre mim e a história deste blog).

Em geral, se você chegou ao ponto de fazer uma tese é porque já passou antes pela dissertação de mestrado. Caso você seja das Exatas, ou de áreas que costumam pular direto para o doutorado, sugiro que você leia as dicas sobre o mestrado também, para se familiarizar com o processo de produção de um trabalho acadêmico de grande porte.

A tese de doutorado é certamente o mais robusto dos trabalhos da vida de um estudante. Na verdade, há países em que doutorandas e doutorandos não são mais considerados estudantes e já entram na categoria de pesquisadores, como profissionais da pesquisa. Isso é legal, porque dá um valor oficial ao trabalho de pesquisa e escrita, ou seja, parte do pressuposto de que pesquisar e escrever é um trabalho. Tudo isso, no entanto, não é motivo para assustar quem se candidata ao título de doutor. O trabalho é exigente, fato! É um processo longo, às vezes chega a ficar chato. É extremamente desafiante, principalmente porque você é o principal agente nesse processo: muito depende de você. Porém, o doutorado não precisa ser um bicho de sete cabeças, como muita gente pinta. Apesar de parecer a coisa mais importante da vida quando você se vê dentro do processo, a tese não é e não será o trabalho da sua vida. No limite, ela será o seu primeiro grande trabalho acadêmico…só o primeiro, o início de uma nova fase.

 

Portanto, não tenha medo da tese. Você escuta histórias de horror de outros colegas? Ou romances sobre teses perfeitas e alunos geniais? Não deixe nada disso controlar você. Trate seu trabalho com respeito e responsabilidade e construa a sua própria experiência. Qualquer drama e dificuldade que aparecer pelo caminho, o blog está aqui para te socorrer.

 

Dito isso, vamos a algumas características gerais da tese.

Uma tese é um trabalho resultante de uma pesquisa aprofundada sobre um ou mais temas, que apresenta a metodologia em que a pesquisa foi desenvolvida e o embasamento teórico que justifica seus resultados. Espera-se de doutorandas e doutorandos que eles apresentem dados (ou argumentos) da pesquisa que corroborem suas conclusões. Ao contrário dos demais trabalhos acadêmicos, é comum esperar que a tese apresente um grau de ineditismo, seja na temática (a tese trata de um tema nunca antes discutido academicamente), ou na abordagem teórico-metodológica, quando o tema não é inédito, mas a forma como será tratado na tese é. Além disso, assume-se que a tese parta de um questionamento: uma pergunta que evidencie um problema que deve motivar e delinear a pesquisa.

No entanto, você deve pensar na tese como um grande relatório de pesquisa e não como uma forma sofisticada (longa, cheia de gráficos, tabelas e citações) de se responder a uma pergunta acadêmica. Isso serve para outros casos, como num trabalho de curso, em que o professor fornece o problema. Em outras palavras, considere seu leitor, que pode ser a orientadora ou o orientador, a banca, seus colegas, ou ainda alguém totalmente desconhecido. Mesmo que todos sejam da sua área, nenhum deles vai conhecer seu objeto de estudo com a mesma profundidade que você. Alguns podem aplicar a mesma metodologia que você, outros podem conhecer bem a problemática do seu estudo; mas a sua tese é uma contribuição particular ao tema. É assim que você deveria entender a sua tese: como um trabalho que vai apresentar – a quem quer que seja o leitor – sua problemática, o porquê do seu trabalho em relação ao que já foi escrito sobre o assunto, como você o conduziu de forma a abordar/tentar resolver o problema que você apontou lá no início, seus resultados e sua interpretação deles, e qual a contribuição de tudo isso para a área.

Ou seja, a função primeira da tese de doutorado é transformar seus conhecimentos de especialista – de alguém que passou os últimos anos estudando aquele tema – num texto que possa ser compreendido por quem quiser lê-lo. Com isso em mente, você já pode começar a desmistificar o imaginário da tese de doutorado como obra literária que só pode ser escrita depois que você dominar absolutamente o assunto e souber todos seus pormenores e ainda se encontrar num certo estado de inspiração que te permita se expressar como um gênio da língua. Esqueça isso! Pé no chão e foco no relatório de pesquisa.

 

Embora o formato da tese possa variar entre áreas –  por exemplo, uma tese na biologia provavelmente vai contar com resultados de experimentos em laboratório, enquanto uma tese na história pode apresentar documentos de arquivos –, existem sim certas linhas gerais, comuns a diversas universidades e disciplinas. A estrutura geral da tese exige uma introdução e um capítulo para as conclusões, além de uma seção para as referências bibliográficas. O corpo da tese deve ser dividido entre discussão teórica e abordagem metodológica, apresentação de resultados, análise e discussão. O segredo para não se perder no processo da escrita é ter o passo a passo* de cada uma dessas seções claramente definido na cabeça – ou num pedaço de papel! Aconselho anotar e manter isso sempre por perto para consulta.

Quanto à estrutura, a tese de doutorado não é muito diferente da dissertação de mestrado, ou de outro trabalho científico em geral. Volto a isso logo mais, num próximo post, mas antes, um pouquinho sobre a dissertação de mestrado.

 

 

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